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Círculo Palmarino Contra a Faxina Étnica.
A crise econômica aumentará o processo de marginalização, criminalização e extermínio do povo negro. As forças racistas e capitalistas através da repressão estatal a serviço dos interesses da burguesia aceleram e aprofundam a segregação social e racial nas cidades brasileiras. Em duas metrópoles, Salvador e Rio de Janeiro, observamos a expressão deste projeto que tem como objetivo confinar o povo negro ao gueto, a favela, a periferia ou subúrbio.
Em Salvador, a aprovação do novo PDDU, que atingiu principalmente as regiões das Orlas Marítima e Atlântica, Paralela e Centro Histórico, de forma atropelada e sem discussão na Câmara de Vereadores, visa garantir, dentro de uma lógica os interesses das grandes imobiliárias e de outros setores do poder econômico da cidade, em detrimento da qualidade de vida da população negra e pobre.  A política de fragmentação da cidade em “feudos privados” torna as cidades uma espécie de zona liberada para que grandes empresários escolham as partes que serão pragmaticamente por eles utilizadas para auferir lucros. A luta contra o PDDU se inscreve na luta contra a Faxina Étnica e tem como orientação a construção de um projeto de cidade que enfrente as desigualdades sociais e raciais que se expressam pelo aumento da violência alimentada pela política de extermínio do Estado contra a população negra nos bairros periféricos e o sistema prisional. Desta maneira, defendemos uma política pública que signifique conquistas para o povo pobre e negro nos campos da moradia, ocupação do solo, educação, lazer, saúde, transporte e meio ambiente.

No Rio de Janeiro, a política racista do Choque de Ordem do Prefeito Eduardo Paes é expressão do processo de faxina étnica, em especial, dos territórios negros do centro histórico da capital fluminense. No início, o seu alvo principal é o proletariado negro formado por vendedores ambulantes que tem as suas mercadorias – meio de sustento – saqueadas por agentes do estado burguês e racista. Esta ação criminosa do estado tem como objetivo beneficiar a especulação imobiliária, grandes comerciantes e empresários, interessados em valorizar estas áreas a partir da expulsão destes trabalhadores. No entanto, a política de “Choque de Ordem” avançou seu aparato de violência: trabalhadores ambulantes, moradores em situação de rua, mototaxistas, moradores de favelas e cortiços tornaram-se alvo de ataques sistemáticos do estado burguês e racista com amplo apoio da imprensa conservadora. Por último, o prefeito Eduardo Paes pretende construir muros e cercar 13 favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro. Esta política de apartheid é complementar ao Choque de Ordem, pois aprisiona a população pobre e negra em seus territórios. A exemplo do muro que separa Israel e Palestina e do Muro da Vergonha que separa Estados Unidos e México, o Prefeito Eduardo Paes reedita a política do gueto que torna “vigiados” os territórios nos quais pobres e negros são maioria.

O que ocorre em Salvador e Rio de Janeiro não são episódios isolados. Ao contrário, observamos o mesmo processo nas grandes e médias cidades brasileiras. Desta maneira, o Círculo Palmarino organizará, junto com as demais entidades do movimento negro e popular, uma Campanha Contra a Faxina Étnica que tem como objetivo denunciar de forma sistemática as agressões sofridas por nosso povo na luta por condições de vida e moradia dignas nos territórios em que somos majoritários.

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